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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Criada rolha com "chip" que revela o histórico do vinho


A Universidade de Aveiro está a desenvolver uma rolha de cortiça que integra um "chip", capaz de dar informações completas sobre o vinho, como a data em que foi produzido e engarrafado e mesmo as temperaturas a que esteve sujeito. 

O invento, ainda em fase de protótipo, poderá vir a ser útil para os consumidores mais exigentes, que a partir do seu "smartphone" vão poder, num futuro próximo, saber as condições a que esteve sujeita a garrafa que compram.
Desde logo serve de travão à falsificação de rótulos, pelo que poderá interessar aos próprios produtores, mas também aos restaurantes que, assim, se certificam de que as garrafas armazenadas que servem a um cliente estão em perfeitas condições e com os níveis de qualidade que ele espera.
A convicção é de Ricardo Gonçalves, que está a fazer o doutoramento em Engenharia Eletrónica no Instituto de Telecomunicações da Universidade de Aveiro e que, com Roberto Magueta, tem em mãos esse projeto de investigação, sob orientação do professor Nuno Borges.
O protótipo atual tem um custo de um euro, valor que pode ser largamente reduzido se vier a ser produzido em série, mas está ainda a ser aperfeiçoado, apesar de resultar de muito trabalho de investigação.
" A primeira fase foi a mais complexa, que consistiu na caracterização eletromagnética da cortiça, o que depois permitiu criar em computador modelos de simulação e depois fazer o desenho das antenas, estudando as propriedades de radiação e adaptá-las para os chips RFID. Um dos primeiros protótipos que desenvolvemos foi uma antena numa placa de cortiça", descreve.
O desafio seguinte foi diminuir o tamanho, tendo em conta o objetivo de ser utilizado em garrafas, conseguindo-a embutir numa rolha, mas ainda de alguma dimensão.
No protótipo mais recente, o chip, com uma pequena antena, é aplicado numa rolha "perfeitamente banal, que consegue ser colocada em praticamente qualquer garrafa de vinho ou de champanhe", mas suficiente para permitir ao leitor obter os dados aproximando-o da garrafa.
"Neste caso, o chip tem uma distância de cobertura curta, um constrangimento da redução do tamanho da antena. Tendo em conta a aplicação que se pretende, de identificação das garrafas, a distância de leitura é relativamente próxima, sendo um compromisso que se pode assumir", explica Ricardo Gonçalves.
O passo a seguir é integrar sensores que poderão dar mais informações sobre o estado das bebidas: "o que estamos a tentar fazer é integrar um sensor de temperatura com este leitor, para ter acesso à leitura da temperatura a que a bebida tem sido sujeita ao longo do seu percurso e, eventualmente, de humidade se conseguirmos resolver o problema da energia".
Para já, é preciso um leitor RFID para extrair os dados, que comunica por "Bluetooth" ou cabo USB a um computador, ou a um smartphone.
A perspetiva é que, dentro de algum tempo, com a integração de tecnologias "Near Fill Comunications" (NFC) nos smartphones, eles possam ler as informações da rolha da garrafa, sem necessidade de equipamento externo.

domingo, 28 de novembro de 2010

Inovação e Empreendedorismo

 

 

Em Oeiras reuniram-se especialistas em empreendedorismo, provenientes das universidades e dos institutos de investigação.



Realizou-se na passada terça-feira, no Taguspark, por iniciativa da Câmara Municipal de Oeiras e da Aitecoeiras - agência de desenvolvimento de Oeiras Valley, um seminário sobre Inovação e Empreendedorismo, integrado na semana global de empreendedorismo, que juntou um conjunto de especialistas nesta área, provenientes das universidades, dos institutos de investigação, das empresas de base tecnológica, das  especializadas - sociedades de capital de risco e de capital-semente - e das associações de business angels.

Sendo este tema da maior atualidade, vale a pena rever o conceito teórico fundamental em que se baseia este fenómeno, as 'fontes de descontinuidade', que justificam o surgimento de atividades empreendedoras, a maior parte das quais suportadas em processos de inovação.

As 'fontes de descontinuidade' mais significativas são:

- Emergência de novos mercados - que não podem ser analisados ou previstos antecipadamente usando as técnicas convencionais dos estudos de mercado, face à inexistência de uma base estatística sólida.

- Emergência de novas tecnologias - resultante da convergência e maturidade de várias linhas de desenvolvimento ou como resultado de um salto tecnológico.

- Emergência de novas regras políticas - com mudanças drásticas nas condições políticas que enquadram as regras sociais e económicas.

- Desregulações ou alterações do regime regulatório - com alterações no quadro regulatório por força de pressões políticas ou de mercado.

- Fuga da corrente dominante - realizada por empresas de indústrias maduras que decidem sair ou reorientar radicalmente o seu negócio.

- Alteração do sentimento ou comportamento do mercado - com mudanças sensíveis na opinião pública ou nos gostos e comportamentos dos consumidores.

- Fraturas sociais - com alterações nos sistemas sociais, de valores e de comportamentos.

- Alteração no paradigma técnico-económico - com alterações sistémicas englobando aspetos tecnológicos e de mercado.

A análise e avaliação, de um modo sistematizado, de cada um destes subsistemas, potenciadores de ações de empreendedorismo, constituem passos essenciais no processo de evolução das empresas e na deteção de oportunidades para a adoção de ações de inovação que potenciem a sua capacidade competitiva.
Mas todos os modelos de empreendedorismo e gestão da inovação apontam para a necessidade de enquadramento das 'fontes de descontinuidade' no meio envolvente, nacional ou internacional, dependendo do perfil estratégico das empresas e dos empreendedores.

É este exercício que é necessário realizar com rigor e serenidade na fase atual de enquadramento político e económico, nacional e europeu.

A contribuição das jornadas de reflexão, que tratem estas matérias, com rigor e profundidade, como a que se realizou em Oeiras, é essencial para este desígnio.

Por: Luís Todo Bom *Professor associado convidado do ISCTE