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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Crowdfunding - Investimento colaborativo para Startups



Existem milhares, para não dizer milhões, de pessoas que têm ideias criativas, e muitas vezes rentáveis, de negócios, mas que não conseguem financiamento para as colocar em prática. 
A par de um acesso ao crédito cada vez mais difícil, vai crescendo uma nova forma de financiamento que não implica taxas, juros, ou especulação.
Chama-se crowdfunding e é o conceito utilizado para definir um “financiamento colaborativo” em que os investidores são pessoas comuns que apostam num negócio pelo seu projecto e ajudam a realizá-lo investindo.   
 A tal multidão ( crowd ) pode conter algumas dezenas, centenas ou milhares de pessoas, as quais disponibilizam determinados montantes mas sobretudo avalizam à partida o sucesso ou o insucesso da sua iniciativa. Os financiamentos de crowdfunding podem ter vários objectivos. 
Os financiadores tanto podem vir a ser clientes e obter o produto/serviço para o qual adiantaram fundos, podem ainda ter participação dos lucros da iniciativa ou ainda ter  a garantia que um determinado serviço que utilizem não acabe ( uma das maiores iniciativas de crowdfunding foi realizada pela wikipedia ).



domingo, 6 de novembro de 2011

A crise tem ideias perigosas


Gustavo Cardoso, Paulo Pena, Ana Catarina Santos, João Caraça e Catarina Portas


Especialistas debatem presente e futuro de Portugal no ISCTE


Perigo: Sermos mais consumistas e menos cidadãos, esquecermos que o capitalismo não precisa da democracia, vivermos sem um governo e não termos imaginação.

Estas são algumas das «Ideias perigosas sobre uma crise» debatidas ontem, no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). O encontro inspirou-se no livro lançado há um ano «Ideias perigosas para Portugal» e contou com as presenças dos autores João Caraça, Catarina Portas, Gustavo Cardoso, Ana Catarina Santos, Sandro Mendonça e do jornalista Paulo Pena.

A ideia que Catarina Portas apresenta no livro é que “o nosso atraso pode ser o nosso avanço”. Segundo a jornalista e empresária, em momentos de crise económica e financeira como esta que atravessamos, “o que as pessoas procuram é voltar a uma economia real, uma economia que entendam”. No entanto, nos últimos anos, “as pessoas passaram a importar-se mais em serem consumidoras do que cidadãs”.

Para Catarina Portas a responsabilidade da crise “é nossa”, “deixámos isto acontecer” porque nos deixámos levar pela “irracionalidade”.

Enquanto empresária, refere que na área do comércio há muita coisa errada e “todos os dias estamos a matar a economia portuguesa”. As marcas portuguesas “têm cada vez menos clientes” porque “cada vez está mais concentrada a distribuição e comércio”. E exemplifica: “Neste momento, o Continente e o Pingo Doce controlam 70 por cento da distribuição alimentar e continuam a crescer para outros nichos de mercado”.

Porque “tudo o que cresce demasiado é perigoso”, Catarina Portas considera fundamental “sabermos a quem damos o nosso dinheiro”. “Um cidadão pode ser cidadão através do seu consumo”, sublinha.
Ana Catarina Santos, João Caraça e Catarina Portas
Ana Catarina Santos, João Caraça e Catarina Portas
Sem ‘pai’ Estado
“A perigosidade tem que ver com o poder contra o qual se levanta”, afirma João Caraça. Para o director do serviço de ciência da Fundação Gulbenkian, a ideia do referendo nacional grego à assistência externa “foi uma ideia perigosa porque atrapalhou e levantou-se contra o poder daqueles dois países que neste momento estão a tomar decisões sobre a Europa, a França e a Alemanha”.

O perigo surge, segundo João Caraça, quando nos esquecemos que “o capitalismo não precisa da democracia”. “Neste momento histórico importante, é esta uma das grandes tensões que estamos a viver e que temos de estar conscientes dela”, avisa.

A ausência de governo é outra das ideias perigosa para Portugal. Quem a propõe no livro «Ideias perigosas para Portugal» é Ana Catarina Santos.

O que, na realidade, a jornalista da TSF quer transmitir é que “temos de depender mais de nós do que no ‘pai’ Estado”. Para isto, é fundamental que exista “liberdade individual”, que cada um de nós tome livres iniciativas.

“Todos, com um pequeno contributo, podemos melhorar aquela que é a nossa rede social”, garante.

Indignados na rua

A indignação é pouco construtiva ou pode levar a um desenvolvimento político actuante? É uma das questões que actualmente se impõe.
Gustavo Cardoso
Gustavo Cardoso
De acordo com o sociólogo Gustavo Cardoso, “o Estado, na Europa, está fraco, os bancos estão débeis e nós não sabemos como estamos”.

Os indignados, populações de vários países que manifestaram o seu mal-estar, “são apenas a concretização na rua de algo que já sabíamos há mais de uma década, que coincide com a entrada do euro”. Isto refere-se aos últimos 10 anos em que nos “tornámos hiper consumistas, hiper cépticos em relação ao poder político e indignados”.

De acordo com o professor do ISCTE“somos incapazes de perceber para onde vamos” porque actualmente“não temos alternativas em cima da mesa”. “Falta-nos imaginação inclusive, para olhar para o passado e encontrar algumas coisas”.

O que o especialista quer dizer é que apesar de não haver crédito porque deixou de entrar dinheiro, podem ser postas em prática algumas alternativas. “Não tem de haver limites para a criação da moeda, tudo depende de quem é que cria moeda. Até pode ser virtual, depende da confiança que existe para as pessoas a aceitarem”, refere.

Aquilo que Gustavo Cardoso afirma estar em causa é “a incapacidade dos Estados e também das universidades começarem a fazer propostas concretas de coisas que as pessoas podem acreditar ou não. Enquanto não fizermos isso, vamos continuar a ter indignados nas ruas e nas nossas casas”.

Isto pode ainda não ter acontecido porque, como explica o economista Sandro Mendonça, “o capitalismo não gosta muito de concorrência e no mercado das ideias económicas também se nota uma ausência de disparidade de ideias”.

Daí que as Universidades não evoluam. “Os intelectuais por vezes não são nada interessantes, as Academias não são nada interessantes e o debate, por vezes, não passa por aqui nem pelos media”, afirma o também professor no ISCTE.



terça-feira, 27 de setembro de 2011

5ª edição da Business Week Setúbal


5ª edição da Business Week Setúbal<br>
ESCE/IPS promove Internacionalização e Empreendedorismo

A Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal ESCE/IPS organiza, pelo quinto ano consecutivo, de 10 a 14 de Outubro, a Entrepreneurship Business Week Setúbal, este ano, subordinado ao tema “Internacionalização e Competitividade”. Parte integrante do International Business Week Network assenta num programa intensivo de internacionalização em Empreendedorismo.

Nesta semana, estudantes e professores de diversas nacionalidades trabalham em equipas multiculturais com o objectivo de apresentar a um júri externo as suas ideias concretizadas através de um plano de negócios. Os resultados obtidos por cada equipa são determinados pela qualidade e consistência das decisões tomadas. Trata-se, por isso, de um projecto que pretende desenvolver nos estudantes participantes as competências ao nível da comunicação e tomada de decisão em contexto de gestão internacional e multicultural.

Para a edição de 2011 está prevista a presença de cerca de 60 alunos, dos quais metade são provenientes de instituições europeias parceiras, que serão devidamente acompanhados pelos respectivos professores.

No conjunto das 4 edições anteriores, a Business Week Setúbal já contou com a presença de cerca de 230 participantes (nacionais e estrangeiros), o que demonstra o sucesso deste evento internacional e que tem «permitido divulgar não só o Politécnico de Setúbal, mas também o país e, principalmente, o concelho de Setúbal», adiantam as professoras Luísa Carvalho e Teresa Costa responsáveis pela organização. Pelo que, em todas as edições têm sido promovidas diversas actividades, das quais se incluem visitas de estudo a empresas da região, como à Quinta do Alcube, em Azeitão, e ao Tróia Resort, entre outras. Nesta edição os participantes terão a oportunidade de visitar as Caves José Maria da Fonseca. Do programa, faz ainda parte um seminário internacional que congrega a participação de empresários e especialistas, este ano subordinado ao tema “Internacionalização: Desafios e Oportunidades”.


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Facebook atrai portugueses em busca de oportunidades no Brasil



Do total de membros da comunidade, 90% são portugueses, principalmente jovens entre 25 e 34 anos. Mais da metade dos interessados são mulheres.
A página "Empregos no Brasil para Estrangeiros" foi criada no Facebook por um empresário português que vive em São Paulo. Em apenas duas semanas reuniu mais de 20 mil seguidores em apenas duas semanas.
Do total de membros da comunidade, 90% são portugueses, principalmente jovens entre 25 e 34 anos. Mais da metade dos interessados são mulheres.
O empresário David Bernardo, CEO da loja virtual HipXik, disse à Agência Lusa que montou a página para um teste, mas os primeiros seguidores da comunidade começaram a surgir poucos minutos após a criação. A ideia surgiu de um problema: a dificuldade para encontrar profissionais de marketing e de outras áreas relacionadas ao e-commerce.
A forte adesão à página surpreendeu o empresário, que viu nela uma oportunidade de negócio: Bernardo começou a montar uma empresa de recolocação profissional. A firma terá serviços voltados principalmente para empresários que desejam fazer recrutamento em Portugal. A ideia é fazer parcerias com empresas portuguesas de recrutamento para seleccionar os finalistas para a vaga sem que eles precisem sair de Portugal.
A empresa também vai tratar de burocracias e da adaptação do novo funcionário no Brasil, desde a obtenção do visto até à escola para os filhos. Os seleccionados, porém, comprometem-se a ficar um tempo mínimo no posto de trabalho.
O empreendedor vê quatros áreas como as mais promissoras: engenharia, gestão de empresas, marketing em Internet (em particular no e-commerce) e tecnologias da informação.
Fonte: Lusa 


terça-feira, 21 de junho de 2011

Facebook disfarça-se de folha de Excel




Rede social fica com aspecto de folha de Excel para que ninguém perceba que não está a trabalhar.


O uso do Facebook no local de trabalho pode ser um problema quando não há conta, peso e medida. As horas perdidas na rede social são um problema para os empresários, que chegam a proibir completamente as redes sociais numa tentativa (quase sempre infrutífera) de aumentar a produtividade. Mas para quem quer contornar as regras há sempre uma solução.

Uma nova aplicação da Diesel permite aos funcionários acederem e frequentarem o Facebook todo o dia se quiserem, sem que ninguém perceba, avança o site TNW.

A aplicação liga-se à conta do Facebook usando a ligação da rede social e o utilizador pode actualizar o seu status, comentar outros posts e até trocar mensagens instantâneas com os amigos, tudo a partir de uma página que parece uma folha de Excel para resto do mundo.

Os patrões podem não gostar da ideia, mas nõ há dúvidas de que os trabalhadores vão adorá-la. As folhas de Excel nunca foram tão divertidas!

O Excelbook é uma aplicação de desktop por isso, para a ter no seu computador, a primeira coisa a fazer é ir ao site e fazer odownload para o computador. Assim que arranca, a aplicação vai pedir que entre na sua conta de Facebook e que puxe a informação da sua conta.

Uma vez ligado à aplicação, vai parecer ao resto do mundo que está a trabalhar numa folha de Excel. Todas as actualizações de estados e mensagens de amigos do Facebook vão aparecer nas colunas e é possível passar do mural, para o chat e para a página principal. Não é a experiência do Facebook a 100%, mas dá para abrir links, trocar mensagens e actualizar o estado.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Uma outra bolsa - Bolsa de Valores Sociais (BVS)























No final dos anos noventa Celso Grecco, 48 anos, era um publicitário de sucesso que aspirava trabalhar a tempo inteiro em prol do desenvolvimento social. Por essa altura os empresários brasileiros perceberam que a responsabilidade social era fundamental para a imagem das suas marcas. Celso viu uma oportunidade para cumprir o seu sonho e, em Dezembro de 1999, criou a Atitude, consultora em responsabilidade social e sustentabilidade. Quando a Bovespa (Bolsa de Valores do Brasil) o abordou, ele propôs aliar o investimento social e o know how do cliente. Assim, em 2003, nasceu a primeira Bolsa de Valores Sociais (BVS) do mundo.

O funcionamento é simples: tal como na bolsa convencional os investidores podem adquirir acções, mas de projectos sociais criteriosamente seleccionados, e acompanhar passo a passo o progresso do seu investimento. A diferença é que nesta bolsa o lucro é medido pelo desenvolvimento social alcançado. Apesar do sucesso e reconhecimento internacional, a iniciativa tarda em replicar-se. Em 2009 Portugal tornou-se no segundo país do mundo a ter uma BVS.



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O professor favorito de Bill Gates é um empreendedor sem sede de dinheiro

Salman Khan produz palestras on-line que são assistidas pelos filhos do fundador da Microsoft

por David A. Kaplan, da Fortune*
Robyn Twomey/Corbis Outline
LIÇÕES ON-LINE | Salman Khan, fundador de uma escola virtual frequentada por 200 mil estudantes

Durante o Festival de Ideias de Aspen, nos Estados Unidos, diante de duas mil pessoas, Gates deu a Salman Khan, 33 anos, o apoio que qualquer empresário adoraria receber. Depois de refletir sobre o que ele chamou de "inacreditável má alocação" de recursos que deveriam ir para a educação, Gates elogiou as "incríveis" aulas de dez a 15 minutos da ONG Khan Academy (khanacademy.org), um vasto tesouro digital de minipalestras grátis, que "tenho usado com meus filhos". Rory, de 11 anos, continuou Gates, é fã dos vídeos de álgebra e biologia da escola virtual de "Sal". Com admiração e surpresa, a segunda pessoa mais rica do mundo comentou ainda que o professor "era um corretor de investimentos que ganhava muito dinheiro". Hoje, disse Gates, "eu diria que avançamos cerca de 160 pontos de QI da categoria fundo de investimentos para a categoria 'ensinar muitas pessoas de maneira alavancada'. Foi um bom dia aquele em que sua mulher concordou que ele deixasse o emprego". Khan nem sequer estava lá - ele soube do elogio de Gates por meio de um vídeo no YouTube. "Foi realmente bacana", comentou o rapaz, um articulado mestre em administração de empresas por Harvard e ex-administrador de fundo de investimentos.

Em uma casa de campo simples, junto à estrada principal do Vale do Silício, em um closet reformado, cheio de prateleiras e equipamentos de vídeo que valem algumas centenas de dólares, sobre o tapetinho vermelho de seu bebê, fica o epicentro do terremoto educacional que cativou Gates e outros. É ali que Khan produz aulas on-line de matemática, ciência e uma série de outros assuntos que o transformaram em uma sensação na web.

A Khan Academy, da qual Khan é o único professor, aparece no YouTube e em outros lugares e é sem dúvida o site educacional mais popular da internet. A lista de Khan de 1.630 aulas ou "tutoriais" (na última contagem) hoje é vista em média 70 mil vezes por dia - quase o dobro do número de alunos de Harvard e Stanford somados. Desde que ele começou suas aulas, no final de 2006, a academia recebeu 18 milhões de visitas únicas em todo o mundo, incluindo os filhos de Gates. A maioria dos visitantes era dos Estados Unidos, seguidos de Canadá, Inglaterra, Austrália e Índia.

Khan diz atingir cerca de 200 mil estudantes. "Não existe motivo para que não sejam 20 milhões." Suas aulas simples, em tom de conversa - o rosto de Khan nunca aparece e os espectadores só veem os esquemas e diagramas simples, passo a passo, em um quadro-negro eletrônico -, são mais que um exemplo de mídia viral distribuída para o universo por baixo custo. A Academia Khan encerra a promessa de uma escola virtual: uma transformação educacional que despreza as salas de aula, os campus e a infraestrutura administrativa, e até os professores de grife.

O aprendizado a distância e os cursos por correspondência existem desde a invenção dos correios. E há muitas escolas particulares e comerciais; a Universidade de Phoenix, no Arizona, tem meio milhão de alunos matriculados, a maioria deles on-line. Outras operações particulares, como a Teaching Co., são especializadas em reunir "grandes cursos" de professores conhecidos nacionalmente: o de "Teoria dos jogos na vida, nos negócios e mais", de um astro acadêmico, custa US$ 254,95 em DVD.

O que é notável na Academia Khan, além de sua publicidade boca a boca e de seu rápido crescimento, é que ela é grátis e valoriza a concisão. Lembra-se de seu professor de macroeconomia que resmungava durante 50 minutos em um grande auditório, capaz de entediar os mortos? Esse não é Khan. Ele raramente faz gracinhas - se você quiser diversão, verifique Darth Vader tentando ensinar geometria euclidiana no YouTube ("O teorema de Pitágoras é o seu destino!"). Mas, em menos de 15 minutos, Khan é capaz de chegar à essência do assunto que ele já vasculhou.

Os críticos on-line questionam se é apenas um amador que está transformando o aprendizado em McNuggets pedagógicos. Mas enquanto você obviamente não aprende cálculo em uma aula - o assunto é dividido em 191 partes, que não incluem outras 32 de pré-cálculo -, os componentes de Khan parecem atingir o ponto perfeito em extensão e conteúdo. Ele cobre um leque surpreendente. Lá estão os temas básicos da matemática - aritmética, geometria, álgebra, trigonometria, cálculo e estatística - e as ofertas científicas de praxe, como biologia, química e física. Mas Khan também dá aulas de Economia de uma Fábrica de Bolinhos, Guerras Napoleônicas e o Instigador Cerebral da Abdução Alienígena.

Khan encontra vários céticos sobre o trabalho que vem fazendo no setor de educação. Eles não duvidam de que ele seja bem intencionado e esteja ajudando estudantes, mas questionam o impacto mais amplo de qualquer curso que não teste o desempenho ou permita a discussão cara a cara entre aluno e professor. "É um sólido recurso suplementar, especialmente para alunos motivados", diz Jeffrey Leeds, presidente da Leeds Equity Partners, a maior empresa americana de capital privado especializada em educação com fins comerciais. "Mas não é uma academia - a iniciativa dele está mais para biblioteca", observa. Mas Khan não pretende nada menos que "dezenas de milhares" de tutoriais oferecendo o que chama de "a primeira escola virtual de classe internacional gratuita, onde qualquer um pode aprender qualquer coisa."

Como muitas epifanias empresariais, a de Khan ocorreu por acaso. Nascido e criado em Nova Orleans - filho de imigrantes da Índia e do atual Bangladesh -, Khan foi durante muito tempo um astro acadêmico. Além do mestrado em administração por Harvard, ele tem três diplomas do MIT: um de matemática e um diploma e mestrado em engenharia elétrica e ciência da computação. Também foi presidente de sua classe no MIT e professor voluntário na Brookline, ali perto, para crianças talentosas, assim como desenvolveu um software para ensinar crianças com déficit de atenção. O que não sabe, ele pega em leituras e reflexões intermináveis: seu dom, como o de muitos professores, é a capacidade de resumir o que é complexo. "Parte da beleza do que ele faz é sua consistência", diz Gates. Sobre a capacidade de Khan de ensinar, Gates, que diz passar um tempo considerável ajudando seus três filhos a aprender o básico da matemática e da ciência, disse à Fortune: "Eu o invejo um pouco".

No verão de 2004, quando ainda morava em Boston, Khan soube que sua prima Nadia, aluna da sétima série em Nova Orleans, tinha dificuldades no curso de matemática para converter quilos. Ele concordou em ensiná-la remotamente. Usando o software Yahoo Doodle como um bloco de notas compartilhado, além de um telefone, Nadia melhorou tanto que Khan começou a trabalhar com seus irmãos, Ali e Arman. A notícia chegou a outros parentes e amigos. Khan escreveu geradores de problemas em linguagem JavaScript para manter um suprimento de exercícios práticos. Mas, entre seus treinos de futebol, o emprego e diversos fusos horários, ficou impossível coordenar tudo. "Comecei a gravar vídeos no YouTube para eles assistirem quando pudessem", lembra Khan. Outros usuários se sintonizaram e estava criado o projeto da Academia Khan.

Robyn Twomey/Corbis Outline
“ADORAMOS O QUE KHAN FAZ. VAMOS AJUDÁ-LO COM DINHEIRO E CONTATOS” - John Doerr, filantropo americano

Khan continuava trabalhando para o pequeno fundo de investimentos no qual havia entrado depois de Harvard, o Wohl Capital Management. Ele disse que tirou "menos de US$ 1 milhão" antes que o fundo sediado no Vale do Silício naufragasse, e por um breve período, em meados de 2008, criou seu próprio fundo, que não decolou realmente por causa da crise financeira ("Eu o chamei de Khan Capital", ele diz, "mas nunca foi muito além do Capital do Khan", brinca ele). Ele usou seu pé-de-meia para comprar uma casa com sua mulher, Umamia, que é bolsista em reumatologia na faculdade de medicina de Stanford, e também parte como reserva quando desistiu da carreira nos investimentos. Em um dia comum, ele grava algumas aulas, responde a posts de seus alunos, telefona para especialistas quando empaca na explicação de um conceito e examina indagações de potenciais investidores curiosos.

Ele afirma que não se interessa por monetarizar sua operação, cobrando matrículas ou vendendo anúncios. "Já tenho uma linda esposa, um filho hilário, duas motos e uma casa decente", declara em seu site. Mas isso não deteve as doações, sendo a mais notável a de John Doerr, o capitalista de risco do Vale do Silício, e de sua mulher, Ann. Há pouco tempo chegou pelo PayPal uma doação de US$ 10 mil para o site (um presente típico é de US$ 100). Khan mandou um e-mail para a doadora. Seu nome era Ann Doerr. Ele conhecia um John Doerr, mas pensou que fosse um nome comum. Mandou um e-mail de agradecimento e ela sugeriu um almoço. Quando se conheceram, Ann Doerr disse a Khan que não podia acreditar que a maior doação fora a dela. "Adoramos o que você está fazendo." Quando ele chegou em casa, encontrou uma mensagem de Ann: "Você tem US$ 100 mil no correio". Khan está usando esse dinheiro para pagar um salário para si mesmo. Mais tarde ele conheceu John Doerr e, de lá para cá, conta com o casal para conhecer outras pessoas no meio filantrópico.

Em julho, a academia recebeu mais US$ 100 mil - de John McCall Mac- Bain, um empresário canadense que fez fortuna no setor editorial. "Se eu tivesse US$ 1 milhão", diz Khan, "financiaria o desenvolvimento de software de conjuntos de problemas automatizados e traduções dos vídeos". Bill Gates, cuja fundação gasta US$ 700 milhões por ano em educação nos Estados Unidos, pretende conversar com Khan em breve.
 

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

UAlg: Alunas do politécnico premiadas por ideias de negócio inovadoras

O concurso de ideias Polieempreende para incentivar alunos do ensino superior politécnico a desenvolver projectos de vocação empresarial, premiou três ideias no Algarve. Confira aqui as vencedoras e as suas ideias.