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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Como fazer um plano de negócios



O plano de negócios não é mais do que um documento que sistematiza e apresenta o seu projeto e que dá corpo à sua estratégia.

Se está a pensar lançar um negócio, criar uma empresa e colocar em prática uma ideia fabulosa que acredita que vá fazer a diferença num mercado concorrencial, então saiba que grande parte do sucesso pode estar no seu plano de negócios. O plano de negócios não é mais do que um documento que sistematiza e apresenta o seu projeto e que dá corpo à sua estratégia para destacar a sua ideia entre muitas outras que outros empreendedores tiveram.
O seu plano de negócios deve ser uma ferramenta em formato de documento que contempla a previsão da sua potencial empresa e que poderá ser muito útil na hora de juntar investidores/financiadores e outros parceiros que poderão ser fundamentais para o seu negócio idealizado ver a luz do dia.

Como deve ser estruturado?

Não há formas mágicas para estruturar um plano de negócios, mas segundo o IAPMEI- Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação, uma possível estrutura engloba vários tópicos:
- Apresentação do criador e do projeto
- Contextualização do mercado e da envolvente externa
- Definição de metas e objetivos
- Estratégia comercial
- Estrutura da empresa
- Elaboração de previsões financeiras
- Controlo e gestão do negócio
- Investimento necessário
- Anexar documentos e outra informação

Que informações deve conter?

Todos os planos de negócios devem começar com um sumário executivo, mas confira o que deverá estar também na sua “arma” de planeamento.
Sumário Executivo
Esta é a parte fulcral do seu plano de negócios pois servirá de cartão de visita aos potenciais investidores/financiadores da sua empresa ou do seu novo negócio. Aponte para um sumário executivo que não vá além das duas páginas e que seja simples de ler, sem erros de ortografia. Como uma sinopse/trailer podem vender bem um filme, o seu sumário executivo (munido dos números fortes e dramáticos) pode ser fundamental para conseguir avançar com o seu negócio.
Não se esqueça destes elementos: nome do negócio, do produto ou serviço, sector, missão, mercados potenciais para as ideias, pontos fortes e fracos, as qualidades dos empreendedores relevantes para o projeto, os motivos que fazem da ideia inovadora, a estrutura necessária (recursos humanos e investimento) e o que poderá ser o atrativo para investidores, quanto tempo até começar a gerar resultados líquidos positivos.
Apresentação do empreendedor e do projeto
Apresente-se e saiba vender a sua imagem. Para os investidores e financiadores é muito relevante a experiência que já teve em projetos passados, a sua formação e educação, o seu histórico pessoal, bem como o da equipa que pretende incluir no projeto. A missão da empresa ajudará também a passar a sua imagem corporativa, além do nome e do formato legal da mesma. Junte a isto uma descrição bem elaborada sobre o produto/negócio que pretende criar, apontando as vantagens, o que o torna inovador e potencialmente vencedor, bem como se este produto surge com uma nova empresa ou se é um nascimento dentro de uma empresa que já existia.
Contextualização do mercado e da envolvente externa
Conhecer o mercado que se vai enfrentar é um ponto-chave a incluir no plano. Como se caracteriza o mercado, em que estádio de desenvolvimento está, qual a concorrência que vai enfrentar e a tipologia de clientes são variáveis muito importantes para colocar na equação do seu negócio. Existe muita informação publicada sobre os vários mercados e se quiser ir mais longe poderá procurar ajuda nas empresas de análise de mercado.
Definição de metas e objetivos
Ter metas e objetivos bem traçados e definidos é fundamental para o sucesso de um plano de negócios. Nesta área deverão estar assinalados os principais objetivos a cumprir segundo a natureza do plano.
Estratégia comercial
Definidas as necessidades dos clientes no mercado onde se posicionará o produto é tempo de elaborar uma estratégia comercial. O Marketing deverá passar pela identificação de clientes, segmentação de clientes alvo, a definição dos meios a utilizar para potenciar as vendas, a criação de suportes à estratégia de imagem e comunicação bem como pela formação da equipa de vendas.
Elaboração de previsões financeiras
Nas suas previsões financeiras a incluir no plano de negócios devem constar projeções de break even, projeções de vendas, projeções de cash flow, o que vai exigir o tratamento financeira de alguns documentos de previsão. Além disso, devem constar documentos que justificam os custos com pessoal necessário ao investimento, bem como a projeção de financiamento e outros serviços externos indispensáveis.
Controlo e gestão do negócio
Um bom caminho de cativar investidores é mostrar rigor e segurança nos seus números e estratégia. Por isso, é fundamental mostrar que mantém um apertado controlo em áreas como as vendas, os dados financeiros e a produção. Este controlo será mais eficaz se recorrer a ferramentas de software que permitem a sistematização da informação nestas áreas.
Investimento necessário
Nesta área não deverá nunca deixar de incluir o investimento que acarreta o seu negócio, bem como o tipo de investimentos e a forma de os cumprir, através da planificação das amortizações. Os prazos são também determinantes para perceber o período do investimento ligado ao negócio.
Anexar documentos e outra informação
Passadas as primeiras áreas fundamentais do plano, convém adicionar mais informação que dê força às suas ideias de negócio. Inclua os currículos dos promotores da ideia, todas as especificações técnicas sobre produtos, cópias de patentes, cópia do contrato de frachise no caso de existir um plano de negócios para um franchising, documentos financeiros que suportem toda a previsão de custos e de vendas, cópias de contratos com instalações ou outros, bem como acordos com potenciais parceiros no projeto. Além destes há muitos mais documentos que podem sustentar o seu plano e que estão ligados à sua ideia em concreto e à sua forma de apresentação da informação.

O que o faz melhor?

Se está a começar a fazer o seu plano, saiba que este documento será uma espécie de guião da empresa nos seus primeiros momentos de vida. Claro que para realizar o seu guião perfeito terá de ter uma boa equipa, mas o sucesso do empreendedor depende muito de um bom plano de negócios que seja de fácil aplicação e simplicidade. Conheça alguns fatores que podem fazer do seu plano uma história de sucesso para a sua empresa:
- Simplicidade de apresentação e aplicação
- Objetividade, metas e organização, que passam por objetivos a concretizar, as pessoas responsáveis, orçamentos detalhados. Se o seu plano não é realista e não se fundamenta em alicerces concretizáveis está a cometer erros no seu documento estratégico.
- Bom planeamento financeiro, sustentado em bons documentos de previsão e realista.

Erros a evitar

Se está à procura do melhor plano de negócios para a sua ideia ou para a sua empresa já em funcionamento comece por evitar alguns erros. Comece por não fazer previsões financeiras fantasiosas, isto é, criando grandes projeções a mais de um ano. Ninguém sabe ao certo como será o momento de entrada no mercado quanto mais traçar metas em prazos mais longos.
Para lá do prazo, não torne o seu plano um autêntico testamento, muito pouco motivador para quem lê. Aponte para um limite a rondar as 50 páginas e não se esqueça de um bom sumário no princípio do plano que permita explicar em poucas palavras o que está no plano. Além disso, não seja preguiçoso esquecendo a originalidade e a criatividade. Evite utilizar o que todos usariam no texto da sua apresentação.
Procure ainda não ser demasiado otimista. Ainda que esteja a vender a sua criação empresarial mantenha os seus pés bem assentes na terra e não tome como garantidas algumas fases do crescimento as sua empresa. Tudo o que lhe parece óbvio convém estar bem fundamentado no seu plano de negócios, em anexo, por exemplo. Não acredite que o seu produto vai ser vendido porque lhe parece um produto genial (justifique e racionalize a sua “certeza”), não acredite que os concorrentes vão responder como você responderia à entrada de uma nova empresa ou produto no mercado – tenha em conta todas as possibilidades de resposta. No fundo, prepare o seu plano para todos os riscos fundamentando bem a sua análise.

Como posso usá-lo e ter sucesso?

O plano de negócios é uma ferramenta essencial no sucesso da sua nova empresa ou no seu novo negócio/produto. A razão é simples: com toda a informação esquematizada estará mais preparado para os riscos e tempos difíceis no arranque do seu negócio. Além disso, ter um plano é crucial para obter financiamento para as suas ideias inovadoras, mas não se esgota nessa missão porque planear e prever deverá fazer parte do léxico de qualquer empreendedor.
Para finalizar este capítulo, um bom plano de negócios não é uma peça de arte para ficar em exposição. Ele é um guia que deve seguir na sua atividade materializada a sua ideia em empresa ou negócio novo. Seja rigoroso na hora de seguir as orientações que traçou.

Tipos de planos de negócios

A vida da empresa pode pedir diferentes tipos de planos de negócios. Aqui ficam dois que podem fazer parte de qualquer empresa.
Plano de negócios inicial (startup plan)– É o plano de negócios por excelência, que pode conduzir ao lançamento da empresa. Preocupe-se fundamentalmente com: explicar bem o seu novo produto ou serviço, criar um suporte de sucesso à ideia que tem em mente agrupando a melhor equipa para o conseguir.
Plano de Crescimento/Expansão – Neste caso o plano pode ser interno (não precisar de financiamento) ou externo (necessário financiamento) e pressupõe que exista um novo produto ou negócio ligado à empresa já existente. Deverá preocupar-se pelo menos em demonstrar a qualidade financeira do novo negócio e será muito relevante a experiência de gestão da empresa já existente.

Dimensões vencedoras

Como se explicou acima, não convém preparar um plano de negócios que seja um peso para quem o lê. Embora todos os elementos necessários devam estar nas suas páginas, a verdade é que convém tratar a informação de forma simples e com boa leitura para financiadores, investidores, sociedades de capital de risco. Muitas vezes a dimensão depende também desta facilidade de leitura já que dependerá dos elementos gráficos, da complexidade de informação e da forma como está apresentada.
Aponte para um plano de negócios que numa leitura rápida responda às principais questões de quem o lê. Tempo é dinheiro e 15 minutos podem ser suficientes para perceber se o seu plano contém uma ideia de sucesso. Além disso, saiba que algumas entidades que promovem concursos limitam as páginas do seu plano a um número que pode rondar as 30, mas muitos planos vão até às 50 páginas. Não cometa erros fixando o seu plano nestas métricas de páginas porque ter 30 páginas densamente preenchidas e de difícil compreensão pode ser pior do que ter 50 páginas de simples leitura e bem apresentadas.
Mantenha uma larga percentagem de páginas de texto e outras com elementos gráficos que suportem o seu plano, acrescentando nas principais páginas os elementos-chave do ponto de vista financeiro.


Faça um teste ao seu plano

Se tem o seu plano concluído, está na hora de fazer o teste para saber se tem o que precisa para ter sucesso. Será que o seu plano dá respostas sobre quem está por detrás da ideia, os seus fundadores, a sua educação e formação, a sua experiência profissional, a sua reputação no mercado empresarial ou feitos de empreendedorismo? Faça perguntas que procuram boas respostas no seu plano.
1. O plano é realista nos objetivos e formas de sucesso?
2. O plano contempla os riscos potenciais?
3. Quem são os empreendedores e que reputação mantêm ao nível pessoal e profissional?
4. Qual é a equipa que vai levar avante o projeto?
5. Têm a melhor equipa para o tipo de projeto?
6. O que move os empreendedores?
7. Como podem responder aos fatores de risco do negócio?
8. Estão os empreendedores preparados para tomar decisões difíceis?


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Empreendedorismo Cooperativo





O Governo publicou em Diário da República a criação do programa Coopjovem, um regime destinado a apoiar o empreendedorismo cooperativo e que prevê a atribuição de uma bolsa de 691,71 euros aos jovens licenciados interessados em desenvolver o projeto de forma exclusiva.
O programa apresenta três modelos de apoio aos jovens: acesso a uma bolsa para desenvolvimento de um projeto cooperativo, apoio técnico e acesso a crédito bonificado ao investimento no âmbito do programa Microinvest. 
A bolsa tem um valor máximo de 691,71 euros para jovens com ensino superior completo (1,65 vezes IAS indexante de apoio social), 544,99 para jovens com ensino secundário completo (1,3 vezes o IAS)  e 419,22 para quem não concluiu o ensino secundário, durante um período mínimo de dois meses e máximo de seis meses.
Assim, o Coopjovem está acessível a jovens com pelo menos o 9º ano de escolaridade e idades entre os 18 e os 30 anos que queiram criar uma cooperativa entre cinco e nove elementos, mas também se podem candidatar empreendedores entre 18 e 40 ano, com pelo menos o nono ano, que queiram inaugurar uma nova secção numa cooperativa já existente e que tenha mais de dez elementos. 
Os bolseiros terão que apresentar relatórios de progresso do projeto e têm ainda a possibilidade de se candidatarem às linhas de crédito do Microinvest. 
Na portaria hoje publicada fica estabelecido que são elegíveis os projetos de investimento que criem, pelo menos, um posto de trabalho na nova cooperativa ou de que resulte a criação líquida de postos de trabalho nas cooperativas agrícolas já existentes.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Netbolsa ganha sistema de “crowdfunding”
















A NetBolsa disponibiliza agora a todos os seus membros, um sistema de “crowdfunding”: ferramenta desenvolvida para facilitar a obtenção de financiamento, a partir do contributo de múltiplos investidores. A organização quer aproveitar o potencial constituído pelo conjunto de mais de 2000 investidores registados na rede.

A Markup, a empresa que desenvolveu a rede e o sistema de “crowdfunding”, será responsável pela gestão do sistema de financiamento colaborativo. Além  de facilitar o encontro entre quem procura capital e quem o detém, fará também a promoção  dos projectos junto da imprensa e das redes sociais.

As contribuições  podem ser feitas em qualquer montante em euros, e apenas os projectos financiados a 100%
no prazo previsto terão viabilidade, explica um comunicado. A Markup encarregar-se-á de fazer essa gestão.

De acordo com a Netbolsa, para utilizar o sistema de “crowdfunding” na NetBolsa, o promotor terá que estar
registado na rede e ter adicionado e configurado a aplicação de “Angariação de Fundos”.


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Como pode obter financiamento da multidão que está online



O crowdfunding ganhou força com o colapso dos mercados e a falta de liquidez dos bancos. Chegou finalmente a Portugal com dois novos projectos.


A "culpa" talvez tenha sido dos Marillion, banda britânica que em 1997 deixou de ter dinheiro para pagar uma tournée nos Estados Unidos. Mark Kelly, teclista, deu a má notícia aos fãs na Internet e o resultado foi surpreendente: 60 mil dólares (cerca de 41 mil euros) chegaram às mãos da banda graças a donativos. Problema resolvido.

Mais de uma década anos depois, o fenómeno do crowdfunding - acção de cooperação colectiva em que pessoas financiam online iniciativas e projectos que podem ser lucrativos ou não - ganhou força com o colapso dos mercados e a falta de dinheiro da banca. Mobiliza centenas de sites e milhares de pessoas em todo o mundo e chegou finalmente a Portugal pela mão de duas novas empresas, a Orange Birds e a Massivemov.

A Orange Birds lançou o seu site no início de Julho e espera "com entusiasmo" reacções e sugestões. Na plataforma PPL (abreviatura em inglês de pessoas, em www.ppl.com.pt) será possível encontrar projectos de empreendedores de áreas que podem ir desde o cinema a aplicações para telemóveis.

Paulo Silva Pereira, consultor de serviços financeiros durante 13 anos na Accenture, Yoann Nesme, engenheiro de sistemas electrónicos que fez carreira na Microsoft, Pedro Domingos, que passou pela Capgemini e Timwe, e Pedro Oliveira, investigador e professor auxiliar na escola de Gestão e Economia da Universidade Católica, conheceram-se durante o The Lisbon MBA e apaixonaram-se "pelos temas de colaboração colectiva e pelo potencial de inovação que existe em cada indivíduo".

Com o PPL, querem apoiar projectos e ideias "onde quem contribui é gratificado através de prémios criativos e participações no projecto ou ideia", referem, numa resposta conjunta, enviada por e-mail. Resumindo, um apoiante escolhe a ideia que mais lhe agrada, faz o seu donativo financeiro - sem limite mínimo nem máximo - e, em troca, recebe uma recompensa. Se o projecto em causa é para apoiar a encenação de uma peça de teatro poderá receber um convite para assistir à estreia, por exemplo.

O PPL cobra uma comissão de cinco por cento, mas apenas nos projectos que conseguirem obter o total do financiamento pretendido. Caso o montante definido pelo promotor não for atingido dentro de um prazo previamente estabelecido, os apoiantes recebem todo dinheiro de volta. A comissão do PPL serve para "promover o crowdfunding em Portugal".

"Faltam incentivos ao empreendedorismo, nomeadamente a projectos pequenos e médios que consigam ultrapassar as actuais barreiras rígidas ao financiamento e à iniciativa em geral", defendem os empreendedores, que preferiram não avançar dados concretos do investimento que fizeram no lançamento do negócio.

Alternativa às burocracias

No Porto, o Massivemov começou pelo Facebook e também já está online. O site (www.massivemov.com) estreou dia 7 de Julho já com projectos específicos. Gabriela Marques, 32 anos, e João Marques, 34 anos, venderam recentemente a Pecofil, empresa que detinham no sector do comércio de combustíveis, e decidiram investir 20 mil euros na criação da plataforma colaborativa.

"Estamos em tempos de crise e esta tem de ser contornada com novas formas de empreendedorismo. Todos podem ter uma oportunidade de concretizar os seus projectos através do financiamento cooperativo", defende Gabriela Marques. O Massivemov, continua, é uma alternativa "às burocracias e dificuldades". O site será gerido como uma empresa, mas não cobra qualquer comissão pelos valores angariados. A intenção é conseguir um patrocinador oficial e exclusivo.

No Massivemov os donativos começam a partir dos cinco euros e o pagamento será feito através do sistema Paypal. "É a única plataforma que permite que os apoiantes façam uma promessa de pagamento", explica Gabriela Marques. O valor só é debitado na conta Paypal de quem apoia se o projecto conseguir, pelo menos, 80 por cento do financiamento pretendido.

"Um dos projectos que temos é o de duas pessoas que constroem mobiliário em cartão. Em troca de financiamento dão descontos na aquisição do produto ou uma peça de mobiliário, dependendo dos montantes", conta Gabriela. Também há um designer que quer lançar uma linha de T-shirts e uma quinta no Douro que precisa de um forno para cozer barro.

Pedro Oliveira, professor de Paulo, Yoann e Pedro no MBA onde todos se conheceram, tem vindo a investigar o papel do utilizador no processo de inovação e no financiamento de novos projectos, e há pouco tempo apresentou o seu trabalho na NASA. Em tempos de contracção financeira, também a prestigiada instituição procura novas formas de obter capital. Em conjunto com Miguel Pina e Cunha, professor na Universidade Nova de Lisboa, identificou 183 plataformas de crowdfunding em todo o mundo, desenvolvidas por utilizadores das redes sociais.

"A multidão pode ser uma melhor fonte de apoio financeiro do que as formas tradicionais", dizem os investigadores, num estudo que ainda está em fase de elaboração sobre o nascimento e desenvolvimento deste fenómeno.

O que começou como uma forma de fotógrafos, realizadores de cinema, músicos e outros artistas angariarem capital para os seus trabalhos artísticos, depressa se estendeu a outros sectores. E "foram os utilizadores que criaram todo um novo sector que cada vez mais compete com os serviços financeiros e a banca", notam.

Há três formatos de crowdfunding: apoio a projecto onde quem contribuiu recebe uma recompensa através de prémios (é o caso do PPL e do Massivemov); empréstimos de pessoas a pessoas, com um lucro financeiro predefinido (como a britânica Zopa) e, finalmente, investimento em troca de uma participação na empresa, lucros ou partilha de receitas.



Fonte: Público

sábado, 14 de maio de 2011

“Não é preciso muito dinheiro para ter boas ideias”

Celso Martinho


Celso Martinho acredita que Portugal está a atravessar um bom momento para a criação e o empreendedorismo.
O co-fundador e director técnico do portal SAPO falava à margem do TEDx, na Covilhã, depois de apresentar, durante o evento, um dos seus últimos projectos: juntamente com três amigos, Celsos Martinho aventurou-se, ou aventurou os seus balões nos céus de Portugal, e já enviou cinco balões para a estratosfera, munidos de câmaras que captam as imagens e os sons durante a viagem.
Balões de látex, cheios com hélio e munidos de chips que lhes permitam enviar as coordenadas GPS para os telefones dos ‘lançadores', de forma a que estes lhes possam seguir a trajectória e recuperar o material finda a viagem.
A uma determinada altitude e temperatura, o balão explode, acciona-se um pára-quedas e as câmaras de vídeo regressam em segurança ao solo e às mãos dos ‘inventores'.
Mas qual é o objectivo? "Nenhum em especial. É sobretudo mostrar que, com a convergência dos saberes de várias áreas, e com um investimento pequeno (cerca de 1000€ por cada viagem de balão, divididos pelos quatro amigos), é possível criar coisas novas".
A ideia não é nova no mundo mas é pioneira em Portugal. Dos voos solitários de cada balão ficam as imagens de um Portugal visto de cima. E dos limites da Terra. Fica a vontade de ir mais além.
Celso Martinho já conseguiu reunir alguns patrocínios para as últimas três viagens dos seus balões, mas reafirma: "não é do dinheiro que nascem as grandes ideias". Questionado sobre se agora, em plena recessão, Portugal poderá ser palco de ideias originais que impliquem pouco investimento, o responsável é peremptório:
"Agora é, sim, uma boa altura para aparecerem novas ideias, em Portugal. É preciso iniciar um novo ciclo", diz, acrescentando que "apesar do que as pessoas pensam, não há assim tanta falta de apoios ao empreendedorismo. Que venham as boas ideias, que vão ver que o dinheiro aparece", conclui.